Seguradoras são pouco transparentes para divulgar critérios e práticas socioambientais

Seguradoras são pouco transparentes para divulgar critérios e práticas socioambientais

Por Angélica Queiroz, especial para Coalizão Verde (1 Papo RetoNeo Mondo e O Mundo Que Queremos)

A falta de transparência na divulgação de critérios e práticas socioambientais é uma das conclusões do terceiro ciclo do Ranking de Atuação Socioambiental de Instituições Financeiras (RASA), que será divulgado no dia 31 de agosto, das 9h30 às 11h. Trata-se da primeira iniciativa já desenvolvida no Brasil para avaliar seguradoras (que, além de proteger atividades empresariais de riscos, são grandes investidoras) quanto a esses temas.

Para realizar esse levantamento, foram consultadas fontes públicas de informações sobre os itens avaliados na Metodologia do RASA com relação às 13 principais seguradoras em atuação no Brasil, incluindo sites, com suas políticas e relatórios, questionários CDP, formulários de referência CVM e também relatórios PRI (Principles for Responsible Investment) e PSI (Principles for Sustainable Insurance), quando existentes.

As informações coletadas foram enviadas para as seguradoras para que, caso tivessem informações adicionais que pudessem complementar o levantamento, as enviassem para eventual acréscimo na nota. As seguradoras tiveram três semanas para responder.

Os critérios de avaliação incluem: temas ASG abrangidos nas políticas, fontes de informação consultadas para avaliar riscos ambientais, sociais e climáticos, como isso influencia na gestão de investimentos e na definição da cobertura de riscos por seguros, grau de risco socioambiental e climático das carteiras de investimentos e ações de mitigação de riscos socioambientais e climáticos adotadas com relação às empresas investidas, oferta de produtos financeiros com impacto ambiental, social ou climático positivo, governança da sustentabilidade, entre outras. Mas, de modo geral, foram encontradas muito poucas informações.

Durante a apresentação do ranking que será feita em um evento online, no dia 31 de agosto, Luciane Moessa, Diretora Executiva e Técnica da Associação SIS (Soluções Inclusivas Sustentáveis), que coordena a iniciativa, vai explicar os resultados e debatê-los com um time de especialistas em sustentabilidade, alguns também com bastante expertise no setor financeiro. São eles: Tatiana Assali, Coordenadora Executiva da iniciativa Investidores pelo Clima (IPC); Alexandre Mansur, fundador do Instituto O Mundo que Queremos/Radar Verde; Carine Lacerda, Coordenadora de Iniciativa Redirecionamento de Investimentos do portfólio de Economia de Baixo Carbono, do Instituto Clima e Sociedade, e Letícia Lorentz, Coordenadora da Câmara Técnica de Clima do CEBDS.

Desenvolvido pela Associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS), o ranking que avaliou as seguradoras nesta fase também já analisou os dados dos bancos comerciais e dos bancos de desenvolvimento e agências de fomento. Os próximos ciclos vão contemplar entidades de previdência e gestoras de investimentos, além de uma nova rodada de avaliação dos bancos avaliados em 2022. O objetivo é fortalecer a agenda socioambiental e climática no setor financeiro, gerando uma competição positiva entre as instituições financeiras avaliadas.

As inscrições para o evento de apresentação do RASA, que será transmitido pelo canal do YouTube da SIS, podem ser feitas até quarta-feira, dia 30, pelo e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..