OIT: Recuperação do mercado de trabalho perde força

OIT: Recuperação do mercado de trabalho perde força

O ano começa com um sinal de alerta emitido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT): a desaceleração da economia global deverá ter impacto na recuperação de postos de trabalho ao nível pré-pandêmico. E a expectativa é que os efeitos serão sentidos de modo mais intenso nos países pobres e emergentes, como o Brasil, conforme indica o relatório Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências 2025, lançado pela OIT, na quinta (16/1).

Segundo o estudo, o emprego global permaneceu estável em 2024 e só cresceu graças ao aumento da população ativa, que manteve a taxa de desemprego em 5%. O desemprego juvenil melhorou e permaneceu em 12,6%. O trabalho informal e o número de trabalhadores e trabalhadoras pobres retornaram aos níveis pré-pandemia e  os países de renda baixa foram os que tiveram mais dificuldade para criar empregos decentes.

No ano passado, o Brasil mostrou uma vigorosa recuperação de postos de trabalho ao registrar taxa de desemprego de 6,2%, o menor patamar medido pelo IBGE desde 2012. Porém, a situação específica dos jovens, entre 14 e 24 anos, continuou dramática, seguindo em patamar elevado, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O relatório da OIT destaca desafios como tensões geopolíticas, o aumento dos custos das mudanças climáticas e os problemas não resolvidos da dívida, que pressionam os mercados de trabalho. Embora a inflação tenha diminuído, ela continua alta, reduzindo o valor dos salários, de acordo com o relatório: “Os salários reais só aumentaram em algumas economias avançadas, e a maioria dos países ainda está se recuperando dos efeitos da pandemia e da inflação.”

Inserção dos jovens

De acordo com o relatório, as taxas de participação na força de trabalho diminuíram em países de renda baixa e aumentaram em países de renda alta, especialmente entre trabalhadores mais velhos e as mulheres. No entanto, as disparidades de gênero continuam grandes, com menos mulheres na força de trabalho, o que limita o progresso no nível de vida.

A participação entre homens jovens diminuiu drasticamente e muitos deles estão em situação de não trabalhar, não estudar e nem estar em treinamento (conhecidos pela expressão Nem-Nem). Essa tendência é particularmente acentuada em países de renda baixa, onde a totalidade dos integrantes deste grupo aumentou em quase quatro pontos percentuais acima da média histórica pré-pandemia, tornando-os ainda mais vulneráveis a desafios econômicos.

Nestes locais, o contingente de Nem-Nem atingiu 15,8 milhões de homens (20,4%) e 28,2 milhões de mulheres (37,0%), o que representa um aumento de 500.000 e 700.000, respectivamente, até 2023.

Globalmente, 85,8 milhões homens jovens (13,1%) e 173,3 milhões de mulheres jovens (28,2%) não estavam no mercado de trabalho, na educação ou em treinamento em 2024, o que representa um aumento de 1 milhão e 1,8 milhão, respectivamente, em comparação com o ano anterior.

Um alento no horizonte

O déficit mundial de empregos – o número estimado de pessoas que querem trabalhar, mas não têm emprego – atingiu 402 milhões em 2024. Isto inclui 186 milhões de pessoas desempregadas, outras 137 milhões que são principalmente trabalhadoras e trabalhadores desencorajados e 79 milhões de pessoas que gostariam de trabalhar, mas têm obrigações, como cuidar de outras pessoas, que as impedem de ter acesso ao emprego. Embora a diferença tenha diminuído gradualmente desde a pandemia, espera-se que ela se estabilize nos próximos dois anos.

Apesar dos prognósticos desafiadores, para se dizer o mínimo, o estudo aponta um potencial positivo em segmentos como energias renováveis e tecnologias digitais. Os empregos no setor de energias renováveis cresceram para 16,2 milhões em todo o mundo, impulsionados pelo investimento em energia solar e de hidrogênio. No entanto, esses empregos são distribuídos de forma desigual, com quase metade no Leste Asiático.

As tecnologias digitais também oferecem oportunidades, mas muitos países carecem de infraestrutura e das competências necessárias para se beneficiarem plenamente desses avanços, destaca o relatório. 

Soluções inovadoras

O diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, enfatizou a necessidade urgente de ação: 

"Trabalho decente e emprego produtivo são essenciais para alcançar a justiça social e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Para evitar agravar a já tensa coesão social, os crescentes impactos climáticos e o aumento da dívida, precisamos agir agora para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e criar um futuro mais justo e sustentável". 

O relatório faz algumas recomendações para enfrentar os desafios atuais:

  • Aumentar a produtividade: investir em treinamento, educação e infraestrutura para apoiar o crescimento econômico e a criação de empregos.
  • Ampliar a proteção social: proporcionar melhor acesso à seguridade social e condições de trabalho seguras para reduzir a desigualdade.
  • Utilizar fundos privados de forma eficaz: países de renda baixa podem aproveitar as remessas e fundos da diáspora para apoiar o desenvolvimento local.

 

 

 *Com informações da ONU Brasil, Leia o texto original, aqui.