Sem água não tem energia, comida...

Sem água não tem energia, comida...

Nos últimos dias temos sido inundados por uma série de informações sobre a crise hídrica que afeta o país.

O impacto direto e imediato é o aumento da conta de energia elétrica a e iminência de um racionamento energético.

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Outro impacto é a alta do preço dos alimentos devido a queda na produção agrícola. A agricultura é dependente do regime de chuvas para ser produtiva. A irrigação é uma alternativa que ajuda muito, mas não resolve. A maioria dos cultivos são planejados de acordo com o regime pluviométrico.

Sem chuva caem o volume e a qualidade da produção. Sobem os preços.

Aqui no interior de São Paulo é normal termos um período chuvoso, entre novembro e março, e um período mais seco, entre abril e outubro. O ar seca, a poeira se estabelece e as plantas sofrem, mesmo irrigadas.

Este ano, porém, foi atípico. Praticamente não choveu no chamado “período das águas”. O volume acumulado de janeiro até agora, foi de 495 mm. É muito pouco. A média pluviométrica até 2008, era de 1.680 mm ao ano. Entre 2008 e 2020, a média foi de 1.347 mm.

As mangueiras, que precisam de um período de stress hídrico para florescer, iniciaram a florada um pouco mais cedo. Aparentemente uma ótima notícia. Porém, sem chuva (já que pomares de manga do interior de São Paulo raramente são irrigados) o abortamento de frutos é alto e os frutos que “vingam” ficam menores.

Sem agua nao tem energia comida 1 papo reto laverani organicos TremocosAdubação verde com tremoçosO meu projeto de regeneração do solo foi impactado.  Não semeei a adubação verde de inverno. E nos locais em que foi semeada, as plantas estão com um desenvolvimento abaixo do esperado. E isso já é reflexo da falta de chuvas no ano passado. A semeadura da adubação verde de verão que seria feita em outubro, só aconteceu em dezembro, atrasando o plantio das sementes de inverno.

E a adubação verde uma das práticas de regeneração e conservação do solo. Evita sua compactação e ajuda a melhorar infiltração da água da chuva, evitando erosão e reabastecendo o lençol freático, entre outros benefícios.

As sementes que não foram para o solo estão guardadas, à espera do próximo ano para serem plantadas e cumprirem seu ciclo de vida.

Minha mãe sempre conta que minha avó dizia: ser agricultor é estar sempre olhando para o céu. E é mesmo. É olhar para o céu à espera da chuva.  E mais, é nunca perder a esperança. Mesmo que plantio não tenha dado certo e ele tenha tido prejuízo, no próximo ano ele está lá, preparado para iniciar um novo cultivo, um novo ciclo.

Milena Miziara
Author: Milena Miziara
Sobre o/a Autor(a)
Milena Miziara é jornalista. Desde 2019 também atua como sócia-fundadora da marca de frutas Laverani Orgânicos (SP)
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